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Edição n.º 72

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NOTÍCIAS

SINAIS DOS MEUS TEMPOS

 
 


Por CARLOS CAMPOS VENTURA
Naturólogo. Dá consultas de naturopatia na Espiral. É Director Executivo do Instituto Hipócrates de Ensino e Ciência - mail@institutohipocrates.pt

 

O MAIOR PORTUGUÊS

Com grande aparato e votações a condizer, debate-se qual foi o maior português de sempre... No momento em que escrevo, não sei qual será o mais votado, mas uma votação “democrática” para eleger uma personagem com a dimensão de mais de oito séculos tem como principal interesse ser uma boa oportunidade para debater publicamente a nossa História, os vultos que a alicerçaram e quais as qualidades que eles transportaram. E já agora, eu também vou dizer a minha escolha. Para mim é o Infante D. Henrique. E explico resumidamente porquê.

Teve um sonho e cumpriu-o. Por terra, a expansão do território português tinha atingido os seus limites. Portanto a fronteira que nos restava era o oceano, repleto de adamastores e abismos infernais. Mesmo assim ele foi. Mas preparou-se em terra. Não se pense contudo que foi uma empresa pura e simplesmente guiada pelo objectivo do lucro material. Se assim fosse, não teria mobilizado tantos e tão bons. O seu sonho era maior que as riquezas da Índia; era maior que o Mundo. 

Definiu uma estratégia a longo prazo, ambiciosa, programada, exaltante. Aproveitou os meios enormes de que dispunha e não os gastou em jeeps, ferraris, duplexes, jacuzis e rolexes. Empregou-os reunindo as condições ideais para a maior aventura em séculos. Com ela transformou Portugal e quanto ao Mundo, esse, depois dessas décadas, nunca mais foi o mesmo.

Incluiu à sua volta, entre nacionais e estrangeiros, as maiores competências do seu tempo: navegadores, marinheiros, construtores de naus, astrónomos, geógrafos, cartógrafos, botânicos, médicos, financeiros, diplomatas, guerreiros... Só grandes equipas concretizam grandes projectos. E D. Henrique coordenou a mais brilhante do seu tempo, enunciando, construindo e afirmando o fim da Idade Média e o início épico de novas sociedades, novas relações sociais e nova forma de compreender o Homem e a Natureza.

E por fim, não se limitou a contratar homens sabedores e experientes e a aproveitar as suas competências. Também criou uma verdadeira escola e centro de investigação de marinhagem e navegação, de geografia e cartografia.

Tudo isto fez de Portugal o centro do mundo de então, nessa idade de ouro cujo brilho (deveria guiar-nos através do nevoeiro que nos séculos seguintes se foi instalando, e) deveria ser mais inspiração e menos saudade.

 

OUVIR O CORPO

Para além do estudo, das palestras, de pequenos cursos e dos conselhos dos profissionais de saúde, o adepto da alimentação natural e de práticas de saúde natural não deve esquecer que o seu corpo lhe envia permanentemente mensagens valiosíssimas para entender o que se está a passar dentro de si. E esses sinais não precisam de ser tão evidentes como febre ou dores.

Na verdade, em certo sentido, a informação recolhida pode até ser um entrave à saúde, se for demasiado intelectualizada e racionalizada, instalando um sistema rígido que submeta o organismo a dietas desadaptadas das suas necessidades e inflexíveis perante os sinais de alarme e reacções que o corpo vá experimentando. E nesta atenção aos sinais é preciso não esquecer que a organização alimentar que resulta bem hoje pode já não se adaptar ao mesmo organismo daqui a um mês ou até daqui a uma semana.

E se o que tenho vindo a dizer é verdade no caso de um indivíduo estar com uma saúde regular, ainda é mais válido quando existe um problema grave. Ainda por cima, em casos agudos a situação muda muito mais rapidamente do que em problemas crónicos. Mas mesmo que haja atenção aos sinais, consegue o leigo interpretá-los? Quanto a esta questão, é bom sublinhar que a experiência é uma grande mestra.

Durante os primeiros anos, o adepto de alimentação natural deve necessariamente ouvir os mais experientes e consultar profissionais competentes. Com o tempo, porém, é inevitável que ele próprio vá entendendo e interpretando as reacções que no início lhe pareciam desconexas, incompreensíveis e às vezes até assustadoras. Como evoluir nesta capacidade de ouvir os sinais do seu corpo, interpretá-los e proceder de forma a corresponder às necessidades que os sinais enunciaram?

Em primeiro lugar é indispensável não perder o bom senso, sendo capaz de pesar o que sente, percebendo o que é importante ou não. Em segundo lugar, é necessário ter a humildade suficiente para admitir, e em primeiro lugar perante si próprio, que pode estar doente, que pode não estar a ser capaz de resolver o problema sozinho, e que portanto pode precisar de ajuda e recorrer a alguém amigo ou a um profissional. Mas em última análise, isto continua a ser bom senso... É claro que o estudo que o indivíduo vai fazendo é muito bem-vindo. Mas se o bom senso e a humildade se perderem pelo caminho, os resultados podem não ser os melhores.

 

 

 Aborto na primeira pessoa    Por CRISTINA PARGA

 

Na proximidade do referendo sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez até às dez semanas, os argumentos dividem-se pelos dois lados da barricada. Aqui falamos sobre como se sentiu quem viveu o aborto.

Raquel teve de o “fazer” três vezes. Sofia também já “tirou”, já fez um “desmanche”. A palavra aborto nunca passa pelo discurso destas jovens, mas a ansiedade escapa-lhes através do olhar, no enrolar nervoso dos cabelos ou no tremular da voz.

“Tinha 16 anos, ainda estava no 10º ano, e namorava há um ano e meio. Era o início dos anos 90, e a sexualidade era ainda um tabu, ainda mais naquela aldeia do interior: a minha mãe e a das minhas amigas casaram virgens, só tiveram um homem na vida, por isso não havia muito o que falar com elas. Às consultas de planeamento familiar só iam mulheres grávidas, e se eu lá aparecesse, era uma vergonha. Toda a gente saberia que já andava a ter relações sexuais.” – conta-nos Sofia, 29 anos, que na altura ainda vivia nos arredores de Beja. Já a Raquel tinha 18 anos, e vivia no Porto, num outro contexto:

“A primeira vez que “aconteceu” eu já estava na faculdade. O meu namorado era uma pessoa complicada – traía-me com outras, metia drogas...já estava a tentar terminar a relação há alguns meses, mas não tinha forças... ainda era muito dependente dele.”

Cenários à parte, o atraso na menstruação foi vivido com o mesmo pânico pelas duas:

“Comprei o teste numa aldeia vizinha, para não me reconhecerem, e o resultado foi positivo. Fiquei duas semanas completamente fora de mim: gostava do meu namorado, mas queria continuar a estudar, não tinha dinheiro, e no fundo era uma criança. Não me sentia em nada preparada para ser mãe” – diz Sofia.Ler Artigo Completo...

 

 

 São Valentim, Dia dos Namorados    Por JEAN CLAUDE RODET

 

O São Valentim, festa do amor, começou com acontecimentos trágicos. Um padre chamado Valentim celebrava casamentos para celebrar o amor entre os noivos. O imperador Cláudio, o Gótico (século terceiro), recrutava soldados para combater os Alamans e os Godos.

 

O imperador prendeu Valentim, porque o casamento desviava os homens do exército, já que estes recusavam deixar as mulheres. Com falta de soldados, o imperador mandou decapitar Valentim no dia 14 de Fevereiro de 268.

Porque é que este mártir cristão se transformou no patrono dos namorados? Na Idade média, certa crença dizia que as aves começavam a copular a 14 de Fevereiro. Desde há dezenas de anos, o São Valentim é a ocasião para enviar postais de afecto, ternura, amor ou amizade: postais muitas vezes ilustrados com corações vermelhos ou cupidos, deus do Amor para os Gregos.

No calendário da Grécia antiga, o período de meados de Janeiro a meados de Fevereiro era o mês de Gamelião, consagrado ao casamento sagrado de Zeus com Hera.

Na Roma antiga, o dia 15 de Fevereiro era chamado as lupercales ou festival de Lupercus, o deus da fertilidade representado meio nu, meio coberto com peles de cabra. Os sacerdotes de Lupercus sacrificavam cabras ao seu deus e após beberem vinho, corriam pelas ruas de Roma tocando nas pessoas, segurando peles de cabra nas mãos. As mulheres vinham e tocavam nas peles para ganharem fertilidade e ter um parto fácil!...Ler Artigo Completo...