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Por CARLOS CAMPOS VENTURA
Naturólogo. Dá consultas de naturopatia na Espiral. É Director Executivo do Instituto Hipócrates de Ensino e Ciência - mail@institutohipocrates.pt
O MAIOR PORTUGUÊS
Com grande aparato e votações a condizer, debate-se qual foi o maior português de sempre... No momento em que escrevo, não sei qual será o mais votado, mas uma votação “democrática” para eleger uma personagem com a dimensão de mais de oito séculos tem como principal interesse ser uma boa oportunidade para debater publicamente a nossa História, os vultos que a alicerçaram e quais as qualidades que eles transportaram. E já agora, eu também vou dizer a minha escolha. Para mim é o Infante D. Henrique. E explico resumidamente porquê.
Teve um sonho e cumpriu-o. Por terra, a expansão do território português tinha atingido os seus limites. Portanto a fronteira que nos restava era o oceano, repleto de adamastores e abismos infernais. Mesmo assim ele foi. Mas preparou-se em terra. Não se pense contudo que foi uma empresa pura e simplesmente guiada pelo objectivo do lucro material. Se assim fosse, não teria mobilizado tantos e tão bons. O seu sonho era maior que as riquezas da Índia; era maior que o Mundo.
Definiu uma estratégia a longo prazo, ambiciosa, programada, exaltante. Aproveitou os meios enormes de que dispunha e não os gastou em jeeps, ferraris, duplexes, jacuzis e rolexes. Empregou-os reunindo as condições ideais para a maior aventura em séculos. Com ela transformou Portugal e quanto ao Mundo, esse, depois dessas décadas, nunca mais foi o mesmo.
Incluiu à sua volta, entre nacionais e estrangeiros, as maiores competências do seu tempo: navegadores, marinheiros, construtores de naus, astrónomos, geógrafos, cartógrafos, botânicos, médicos, financeiros, diplomatas, guerreiros... Só grandes equipas concretizam grandes projectos. E D. Henrique coordenou a mais brilhante do seu tempo, enunciando, construindo e afirmando o fim da Idade Média e o início épico de novas sociedades, novas relações sociais e nova forma de compreender o Homem e a Natureza.
E por fim, não se limitou a contratar homens sabedores e experientes e a aproveitar as suas competências. Também criou uma verdadeira escola e centro de investigação de marinhagem e navegação, de geografia e cartografia.
Tudo isto fez de Portugal o centro do mundo de então, nessa idade de ouro cujo brilho (deveria guiar-nos através do nevoeiro que nos séculos seguintes se foi instalando, e) deveria ser mais inspiração e menos saudade.
OUVIR O CORPO
Para além do estudo, das palestras, de pequenos cursos e dos conselhos dos profissionais de saúde, o adepto da alimentação natural e de práticas de saúde natural não deve esquecer que o seu corpo lhe envia permanentemente mensagens valiosíssimas para entender o que se está a passar dentro de si. E esses sinais não precisam de ser tão evidentes como febre ou dores.
Na verdade, em certo sentido, a informação recolhida pode até ser um entrave à saúde, se for demasiado intelectualizada e racionalizada, instalando um sistema rígido que submeta o organismo a dietas desadaptadas das suas necessidades e inflexíveis perante os sinais de alarme e reacções que o corpo vá experimentando. E nesta atenção aos sinais é preciso não esquecer que a organização alimentar que resulta bem hoje pode já não se adaptar ao mesmo organismo daqui a um mês ou até daqui a uma semana.
E se o que tenho vindo a dizer é verdade no caso de um indivíduo estar com uma saúde regular, ainda é mais válido quando existe um problema grave. Ainda por cima, em casos agudos a situação muda muito mais rapidamente do que em problemas crónicos. Mas mesmo que haja atenção aos sinais, consegue o leigo interpretá-los? Quanto a esta questão, é bom sublinhar que a experiência é uma grande mestra.
Durante os primeiros anos, o adepto de alimentação natural deve necessariamente ouvir os mais experientes e consultar profissionais competentes. Com o tempo, porém, é inevitável que ele próprio vá entendendo e interpretando as reacções que no início lhe pareciam desconexas, incompreensíveis e às vezes até assustadoras. Como evoluir nesta capacidade de ouvir os sinais do seu corpo, interpretá-los e proceder de forma a corresponder às necessidades que os sinais enunciaram?
Em primeiro lugar é indispensável não perder o bom senso, sendo capaz de pesar o que sente, percebendo o que é importante ou não. Em segundo lugar, é necessário ter a humildade suficiente para admitir, e em primeiro lugar perante si próprio, que pode estar doente, que pode não estar a ser capaz de resolver o problema sozinho, e que portanto pode precisar de ajuda e recorrer a alguém amigo ou a um profissional. Mas em última análise, isto continua a ser bom senso... É claro que o estudo que o indivíduo vai fazendo é muito bem-vindo. Mas se o bom senso e a humildade se perderem pelo caminho, os resultados podem não ser os melhores. |
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